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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Protótipo transforma CO2 em hidrogénio


Um grupo de pesquisadores dos laboratórios Sandia criaram um protótipo que reenergiza quimicamente o dióxido de carbono (CO2) transformando-o em monóxido de carbono (CO) e hidrogénio, que ainda pode ser a chave para sintetizar combustível líquido. O protótipo foi testado pela primeira vez recentemente e, embora a eficiência ainda seja muito baixa, a tecnologia é promissora.


A máquina, criada pelo pesquisador Rich Diver, usa energia solar para converter o desperdício de dióxido de carbono das centrais termoeléctricas em combustíveis de transporte, para ser usado em substituição da gasolina e do diesel. O sistema é uma alternativa para a captura de carbono, que, em vez de ser armazenado permanentemente no solo, poderia ser reciclado e voltar a ser utilizado.


Designada de Counter-Rotating-Ring Receiver Reactor Recuperator (Recuperador por Reacção com Anel Rotatório), ou ainda CR5, a máquina cilíndrica é composta por duas câmaras nas laterais e 14 anéis rotatórios no centro. O exterior dos anéis é feito de óxido de ferro. Quando os cientistas aquecem o interior da câmara a 1.500º C, o óxido de ferro é submetido a uma reacção termoquímica, libertando moléculas de oxigénio.


Ao girar lentamente os anéis (uma rotação por minuto), o lado quente aproxima-se da câmara oposta e começa a arrefecer. Quando o dióxido de carbono é mandado para esta câmara, o óxido de ferro retira moléculas de oxigénio do gás, transformando-as em monóxido de carbono, que pode então ser utilizado como componente básico para criar combustível líquido.


A princípio, Diver desenhou a máquina para gerar hidrogénio sem a utilização de electrólise, o processo tradicional para a obtenção deste gás combustível. Ao substituir a água por dióxido de carbono na segunda câmara, os pesquisadores conseguiram a produção de hidrogénio. Em seguida, ao misturar esse hidrogénio ao monóxido de carbono, foi possível produzir syngas, ou gás sintético, uma mistura de gases que contém quantidades variáveis de monóxido de carbono e hidrogénio. Embora não se possa sintetizar directamente os combustíveis hidrocarbonetos comuns, como nafta (popularmente conhecida como gasolina), diesel ou combustível utilizado na aviação a partir do syngas, é possível usá-lo em substituição destes.


Pode demorar até 20 anos para que a tecnologia seja lançada no mercado, sendo o maior desafio o aumento da eficiência do sistema. O objectivo dos pesquisadores é elevar, mesmo que apenas um pouco, a eficiência do sistema, uma vez que a fotossíntese realizada pelas plantas tem uma eficiência de apenas um por cento e produz grandes quantidades de energia. Uma maneira de atingi-la é desenvolver novos compostos cerâmicos que libertem moléculas de oxigénio a temperaturas muito mais baixas do que o óxido de ferro.


Esta não é a primeira tentativa de transformar dióxido de carbono em combustível. Em 2007, pesquisadores da Universidade da Califórnia criaram um dispositivo que também utilizava energia solar para a conversão.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Lisboa e Porto integram rede de investigação em sistemas de energia e mobilidade eléctrica

Foi ontem apresentada a Rede de Investigação em Sistemas de Energia e Mobilidade Eléctrica, na Câmara Municipal de Lisboa. As cidades de Lisboa e Porto vão integrar o grupo de sete cidades a nível mundial sobre as quais investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e de Portugal vão estudar metodologias inovadoras para quantificar e estimular o nível de sustentabilidade relativa dos centros urbanos.

A apresentação foi feita no âmbito das iniciativas organizadas por ocasião da visita que a presidente do MIT, Susan Hockfield, realiza a Portugal esta semana.

A rede de investigação visa fomentar a discussão sobre formas de apoio à decisão dos responsáveis políticos em matéria de concepção, teste e implementação de novas políticas ambientais, a par da difusão de novos conhecimentos junto dos cidadãos para captar o seu empenhamento e melhor compreensão relativamente às questões de sustentabilidade.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Autocarros a hidrogénio perto da fase de comercialização


Os resultados finais do projecto HyFLEET:CUTE 2006-2009 foram apresentados publicamente
na conferência “Hydrogen Transports!”, que decorreu entre 17 e 18 de Novembro, em Hamburgo. O projecto esteve a decorrer nos últimos quatro anos em dez cidades de três continentes, onde estiveram a circular cerca de 20 autocarros movidos a hidrogénio.

De acordo com a indústria dos transportes e os produtores de hidrogénio, esta tecnologia deverá estar disponível entre 2015 e 2020. «A maior parte do trabalho de casa está feito. Estamos muito perto de chegar à fase de comercialização. Os custos ainda têm de baixar e temos de ganhar mais um pouco de experiência, mas já não estamos numa fase experimental. Há um período de 20 a 30 anos desta tecnologia e agora é uma questão de vontade», referiu Boris Jermer, da HyCologne.

«O que precisamos é de autocarros que sejam suficientemente baratos. O problema é que os custos estão associados ao volume de produção e se se produzir apenas um autocarro, que envolve 20 engenheiros o custo é astronómico. Mas assim que se começar, por exemplo, com a produção anual de 100 autocarros, o preço baixa logo para níveis aceitáveis», acrescentou ainda o responsável.