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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Banco Europeu de Investimentos quer ajudar Portugal a evitar recessão *


O Banco Europeu de Investimentos (BEI) quer ajudar os países da zona euro em crise orçamental, incluindo Portugal, a evitar a recessão, emprestando-lhes a quota-parte de 40 por cento dos fundos estruturais que lhes compete investir.

«Queremos ajudar a aplicar de forma mais eficaz os recursos dos fundos estruturais nos países em crise», disse hoje o vice-presidente, do BEI, Matthias Kollatz-Ahnen, ao jornal alemão de economia Handelblatt. O objectivo é permitir um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) entre dois e três por cento nos países afectados, «para atenuar, pelo menos, os efeitos negativos dos programas de austeridade sobre o crescimento económico», explicou Kollatz-Ahnen.

Segundo as previsões de vários organismos internacionais, Portugal poderá entrar em recessão em 2011, e ter uma queda de um por cento do PIB. Além disso, tal como a Grécia e a Irlanda, os outros dois países que já recorreram a fundos europeus e do FMI para evitar a bancarrota, têm um desemprego acima dos 10 por cento.

Os rigorosos programas de austeridade aprovados para combater a crise impedem, no entanto, que o país solicite verbas dos fundos estruturais, porque para isso o Estado teria de custear 40 por cento dos investimentos a financiá-los através dos referidos fundos, cabendo ao BEI os restantes 60 por cento. Os fundos estruturais e o fundo de coesão, segunda maior parcela do orçamento comunitário, com 348 mil milhões de euros (cerca de 35 por cento) disponibilizados para o período 2007-2013, foram criados para corrigir gradualmente as diferenças entre as economias mais fortes e as economias mais fracas da União Europeia.

No referido quadro financeiro, foram atribuídos a Portugal 25,8 mil milhões de euros, que só poderão ser plenamente reclamados, no entanto, se o país conseguir as verbas necessárias para cumprir a sua quota-parte nos investimentos destinados a corrigir atrasos estruturais. É aqui que entra o BEI, agora disposto a emprestar o dinheiro para financiar as quotas nacionais, segundo Kollatz-Ahnen. Para isso, o banco com sede no Luxemburgo «está a mobilizar cada vez mais meios», adiantou o mesmo responsável. Portugal recebeu já um primeiro empréstimo de 1,5 mil milhões de euros para projectos associados aos fundos estruturais, sobretudo nas áreas da energia e do transporte de mercadorias, referiu Kollatz-Ahnen. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, já tinha afirmado também que é preciso orientar os fundos estruturais para fomentar o crescimento e a competitividade.

O BEI adverte, no entanto, contra a ideia de abdicar do co-financiamento de projectos da responsabilidade de países com dificuldades orçamentais, para que o banco assuma a totalidade dos investimentos. «Empréstimos são melhores do que presentes», disse Kollatz-Ahnen, lembrando, por exemplo, que as elevadas verbas investidas no leste da Alemanha, depois da reunificação do país, causaram alguns investimentos ruinosos, como a construção de estações de decantação e pólos industriais desnecessários.

*Lusa / SOL

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Primeira cidade a hidrogénio está a surgir no mar do Báltico


A pequena ilha dinamarquesa Lolland, localizada no mar Báltico, quer usar o hidrogénio para armazenar a energia do vento em excesso, tornando-se na primeira cidade a hidrogénio. Actualmente a cidade produz mais 50 por cento da energia eólica que necessita para consumo interno.

O projecto Lolland Community Hydrogen pretende estabelecer Lolland como um líder europeu na tecnologia do hidrogénio. O calor combinado e a micro produção de energia (μCHP) será baseada em energia eólica, electrolisadores para a produção de hidrogénio e utilização em células de combustível (PEM).

Lolland espera converter toda a ilha ao hidrogénio através de um processo de três fases, duas das quais já começaram. A primeira fase foi concluída em 2006 após a criação do residencial Fuel Cell μCHP, em Nakskvov. O excesso da energia eólica faz trabalhar o electrolisador, que separa as moléculas de hidrogénio e oxigênio, que são armazenados em unidades de armazenamento de baixa pressão para controlar o fornecimento de hidrogénio às células de combustível, e a falta oxigénio para estações de água de limpeza.

A maioria da energia fornecida por estas células de energia são utilizados principalmente para o funcionamento da unidade de águas residuais, embora alguma também seja usada para produzir electricidade e calor para aquecer os edifícios na área, semelhante a uma infra-estrutura convencional em grande escala. Outros passos desta etapa foram de-mistificar a energia do hidrogênio para os consumidores e criar novas sinergias e simbioses com energia e instalações ambientais existentes.

A segunda fase do projecto foi concluído em 2008 na cidade de Vestenskov, que não só ligadou os edifícios com a unidade de hidrogénio, mas também envolveu a colocação descentralizada de células de combustível em cada cinco casas.

Cada unidade contém uma célula de combustível 2 quilowatts e um conversor de corrente alternada, que viria substituir as caldeiras existentes. Estas células acabaram por ser mais eficientes e ter a segurança de energia mais elevada do que as caldeiras convencionais. Esta fase permitiu às autoridades testar a segurança e a estabilidade operacional destas unidades.

A fase final do programa será executado a partir de 2010-2012 e envolverá a instalação destas células em mais 35 a 40 famílias, que irá fornecer o calor e a electricidade. A conversão de transformar o hidrogénio em energia é feita através de um processo electroquímico que tem uma produção de electricidade de 50 por cento e eficiência combinada de utilização simultânea de 90 por cento.

Actualmente, as casas em Vestenskov são alimentados por petróleo e gás natural. Uma vez que o hidrogénio é criado através do vento em excesso, o poder é de 100 por cento de carbono neutro.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

26 autocarros vão levar Hidrogénio Limpo às Cidades Europeias















O projecto Hidrogénio Limpo nas Cidades Europeias (Chic, da sigla em inglês) é o passo necessário para a comercialização de autocarros movidos a células de combustível a hidrogénio (H2FC).

O projecto vai facilitar a integração dos 26 autocarros H2FC nas operações diárias de cinco cidades da Europa, com apoio das autoridades de transporte em Aargau (Suíça), Bolzano (Itália), Londres (GB), Milão (Itália) e Oslo (Noruega), bem como da Joint Undertaking for Fuel Cells and Hydrogen. A ideia é fazer a introdução progressiva de frotas de autocarros H2FC, de estações de reabastecimento de hidrogénio e outras infra-estruturas que facilitem a integração harmoniosa dos autocarros H2FC nos transportes públicos da Europa.

O CHIC foi lançado em Novembro, na cidade de Colónia com a Declaração de Missão assinada pelos parceiros, que se comprometeram a colocar os 26 veículos em serviço regular em 2012.

O projecto visa alavancar os resultados de projectos anteriores, nomeadamente da fase 0, que teve lugar em Berlim, Colónia, Hamburgo e Whistler (Canadá), trazendo as experiências.
Depois do sucesso do teste de campo de autocarros de primeira e segunda geração H2FC, através dos projectos CUTE e HyFleet, este projecto vai mais além com a implantação da mais recente geração do híbrido de célula de combustível (FCH) em preparação para a introdução no mercado. Os autocarros serão fornecidos pela Mercedes-Benz, Wright e Van Hool. As infra-estruturas de reabastecimento de hidrogénio vão envolver os principais actores industriais na Europa, como é o caso da Shell, Total, Vattenfall, Air Products, Linde e Air Liquide.

O projecto irá servir ainda de guia para 14 regiões adicionais na Europa, no âmbito da fase 2 do projecto, que querem utilizar pela primeira vez um autocarro H2FC nos transportes públicos a partir de 2012, em cooperação com as regiões europeias e municípios integrados no HyRAMP.

Uma parte importante do projecto passa pela avaliação ambiental, económica e social da utilização de autocarros movidos a hidrogénio.