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terça-feira, 7 de abril de 2009

SRE participa na feira Hannover Messe com a Fundación Aragón

A SRE – Soluções Racionais de Energia vai estar presente na feira Hannover Messe, o evento mais importante em todo o mundo dedicado à tecnologia e o principal certame Europeu no que se refere à Economia e Tecnologia do Hidrogénio, que decorre entre 20 e 24 de Abril na cidade alemã. A empresa portuguesa apresenta as suas pilhas de combustível, fontes e aplicações de demonstração através da parceria estabelecida com a Fundación para el Desarrollo de las Nuevas Tecnologías del Hidrógeno en Aragón (Espanha).

Os visitantes poderão, assim, testar a utilização de fontes de alimentação da SRE na alimentação de electrónica portátil, iluminação de emergência e em aplicações de tracção (trolley de golfe). A empresa prevê ainda apresentar na feira o seu novo modelo de pilha de combustível de 50 W (25SR10), constituído por 25 células com 10 cm2 de área útil. A tecnologia da SRE mantém-se competitiva nas pequenas potencias, nicho de mercado em que a empresa tem centrado os seus desenvolvimentos.

A parceria estabelecida com a Fundación para el Desarrollo de las Nuevas Tecnologías del Hidrógeno en Aragón visa, numa primeira fase, a abordagem do mercado de Espanha, podendo ser alargada a outros mercados, nomeadamente da América Latina, em que a entidade espanhola tem vindo a marcar presença em iniciativas de promoção e divulgação da Economia do Hidrogénio.

O stand da Fundación Aragón é o G74/2, no Pavilhão 3.

domingo, 5 de abril de 2009

Hidrogénio pode ser produzido a partir de águas residuais

Um estudo da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, no Brasil, propõe a produção de hidrogénio como fonte de energia renovável, em alternativa aos combustíveis fósseis, a partir do tratamento de águas residuais.

Um dos coordenadores, Marcelo Zaiat, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC, explica que a produção biológica de hidrogénio pode ocorrer por duas vias: fotossíntese e processo fermentativo. «A produção fermentativa foi o tema abordado na pesquisa, que objectivou o desenvolvimento de biorreactores anaeróbios e o estudo das melhores condições para a produção de hidrogénio. A fermentação é tecnicamente mais simples e, nesse caso, o hidrogénio pode ser obtido a partir da matéria orgânica presente em águas residuais», segundo Zaiat.

O processo anaeróbio de conversão de matéria orgânica divide-se basicamente em duas fases: acidogénica e metanogénica. O hidrogénio é obtido na primeira fase (acidogénica), a qual é mediada por organismos que consomem a matéria orgânica das águas residuais e produzem ácidos orgânicos, álcoois e hidrogénio.

«O desafio nesta fase está no desenvolvimento de reactores biológicos mais adequados para essa conversão, permitindo a maximização da produção de hidrogénio. O uso de biorreactores acidogénicos conjugados com os metanogénicos possibilita o tratamento de água residuais, assim como a produção de hidrogénio como fonte de energia», apontou.

Nesse contexto de associação entre a produção de hidrogénio com baixo custo e o controle da poluição ambiental, Zaiat aponta que os trabalhos de pesquisa na área começaram a ser desenvolvidos na década de 1990 e que, até hoje, mais de 200 estudos sobre bioprodução de hidrogénio já foram publicados no mundo.

«Muitos problemas de engenharia ainda devem ser resolvidos antes de essa tecnologia poder ser aplicada em escala industrial, mas os dois grupos têm trabalhado com águas residuais de várias origens, buscando aplicações em vários sectores produtivos ligados à América Latina», apontou o professor.

O projecto propõe que, acoplado à estação de tratamento de águas residuais (ETAR) possa estar um reactor acidogénico para produção do hidrogénio, um combustível limpo que gera, nas células, a água como único produto, disse Zaiat. Entre as formas de obtenção de hidrogénio estão a queima de combustível fóssil, electrólise e a produção biológica.

«A produção biológica é a mais atractiva por envolver tecnologias de baixo custo quando comparada a outras técnicas, além de requerer menos energia para a sua geração. Esse tipo de produção pode contribuir para a redução de custos na geração de hidrogénio principalmente se a matéria-prima - os compostos orgânicos - for obtida de águas residuais geradas por indústrias ou esgoto», afirmou.

Segundo o pesquisador, além de ser um combustível limpo, outra vantagem é que o hidrogénio é quase três vezes mais energético do que os hidrocarbonetos. «Essa conta é feita pela termodinâmica. O calor de combustão do hidrogénio é de 122 quilojoules por grama (kJ/g), cerca de 2,75 vezes maior do que o dos hidrocarbonetos», calculou.

Este estudo valeu aos seus autores o prémio Mercosul de Ciência e Tecnologia 2008, que seleccionou os melhores estudos sobre o tema Biocombustível, elaborados por estudantes e pesquisadores da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Fotossíntese artificial pode ser caminho para a economia do hidrogénio


Descobrir novas rotas de produção de hidrogénio, tendo como matérias-primas apenas a água e a luz solar, é a meta que tem sido perseguida nos últimos anos pelo professor Stenbjörn Styring e sua equipe na Universidade de Uppsala, na Suécia. No workshop BIOEN/PPP Ethanol on Sugarcane Photosynthesis, que teve lugar em Fevereiro, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo, Brasil, Styring mostrou parte dos seus estudos sobre o que chamou de “química do manganês e do ruténio” para a geração de energia, por meio da transferência de electrões da molécula de água.

Os trabalhos, realizados por meio do Consórcio Sueco para a Fotossíntese Artificial (Swedish Consortium for Artificial Photosynthesis, da sigla em inglês), que reúne dezenas de grupos de pesquisa e mais de 200 cientistas, demonstraram ser possível obter energia por meio de fotossíntese artificial. Há já, pelo menos, quatro relatos na literatura científica que descrevem esta tecnologia. «A fotossíntese que estudamos não utiliza organismos vivos, mas apenas água, luz do sol e um catalisador», disse Styring no evento realizado no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

«Estes novos conceitos químicos são completamente diferentes e visionários, uma vez que conseguimos provar ser possível que, a partir da energia do sol, a água produza combustíveis como o hidrogénio.» Durante a palestra From natural to artificial photosynthesis: hydrogen from solar energy and water, Styring apresentou diferentes compostos e sistemas químicos que utilizam elementos como ferro, cálcio, manganês e ruténio para a geração de hidrogénio por meio da fotossíntese artificial.

Segundo o investigador, a fotossíntese artificial não é uma mera imitação da natural. «O objectivo é utilizar os mesmos princípios-chave e não apenas copiar as enzimas naturais para a geração de hidrogênio a partir da luz do sol. Utilizamos apenas as mesmas ideias da natureza», explicou.

«Estes princípios-chave, que são muito difíceis de serem replicados, resumem-se a retirar os electrões da água após a absorção da luz solar. Em vez da clorofila, utilizamos, por exemplo, complexos de ruténio. Ligamos as moléculas de ruténio, que absorvem a luz, com os sistemas de manganês que conseguem tirar os electrões da água», disse.

Para Styring, a produção de hidrogénio em grande escala pela fotossíntese artificial ainda está distante de ocorrer, apesar de este tipo de tecnologia ter grande potencial no âmbito dos sistemas energéticos futuros. «Especialistas em todo o mundo estudam diversos métodos, directos e indirectos, para obter combustíveis renováveis a partir da luz solar. Mas, actualmente, um dos nossos maiores desafios não é transferir um electrão da água por vez, porque sabemos como fazer isso, e sim fazer com que os electrões retirados da água possam servir como uma matéria-prima infinita para a geração de combustíveis renováveis», avançou ainda.